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Itabuna, Bahia, Brazil
Licenciada em Química pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc- Bahia); Mestre em Ensino de Ciências pela Universidade de São Paulo (USP); Professora do ensino Fundamental e Médio há 12 anos. Trabalha com Jogos e atividades lúdicas no ensino de Ciências, especialmente a Química.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Química também se aprende brincando


Vinicius Zepeda

Em um dos episódios da série de filmes Jornada nas Estrelas, o ser humano é identificado por uma forma de vida alienígena como "unidades de carbono". A frase, apesar de partir de uma realidade fictícia, ilustra uma verdade já comprovada pela ciência. O carbono desempenha papel especial na estrutura da maioria das moléculas do corpo humano: mais de 90% de nossa massa são basicamente carbono, hidrogênio e oxigênio.
Se pararmos para observar, os elementos químicos também estão muito presentes em nosso cotidiano. Nossa higiene bucal é feita com pasta de dentes que contém flúor. Nas frutas e verduras que comemos diariamente há diversos metais, como potássio, magnésio, sódio, ferro. No ar que respiramos, há predominantemente oxigênio e nitrogênio. Os chips de computador contêm silício em sua composição. As moedas possuem frequentemente cobre, ferro, níquel e estanho. Apesar disso, grande parte dos alunos do Ensino Médio não consegue perceber a utilidade prática da química. 
A disciplina, então, passa a ser considerada extremamente abstrata e enfadonha. Pensando em aproximar o ensino da Química ao cotidiano, uma equipe de designers, programadores e professores, coordenada pelo engenheiro químico e professor do Centro de Ciências do Estado do Rio de Janeiro (Cecierj) Esteban Lopez Moreno, está desenvolvendo uma forma de os estudantes se divertirem e ao mesmo tempo aprenderem o conteúdo da disciplina: é o jogo Trunfo Químico. O projeto conta com auxílio do edital Apoio à Publicação de Material Didático, da Faperj.

Semelhante ao conhecido jogo de cartas Supertrunfo, sucesso na década de 1980 e ainda atual, Trunfo Químico substitui os carros, aviões e motos do similar original por elementos químicos. Numa versão em CD – que ainda está sendo desenvolvida –, ele pode ser jogado no computador contra a máquina. De todos os elementos químicos listados na tabela periódica pela União Internacional da Química Pura e Aplicada (Iupac, na sigla em inglês), órgão que normatiza as descobertas da Química em nível mundial, o jogo usa os 32 mais comuns. As cartas são divididas entre um mínimo de dois participantes e um máximo de oito, que recebem quatro delas cada um. Cada carta traz seis características daquele elemento: densidade, raio covalente, ponto de fusão, primeira energia de ionização, eletronegatividade e abundância no corpo humano. "O jogador deve escolher uma das características e comparar com a dos adversários; quem tiver o maior valor ganha as cartas da rodada", explica Moreno.
Além das seis características, Moreno destaca mais três detalhes: o primeiro é a bandeira do País onde aquele elemento foi descoberto e o ano. O segundo são imagens que ilustram a presença de cada um dos elementos químicos no cotidiano, como forma de aproximar o conhecimento da realidade do aluno. Segundo Moreno, a seleção das imagens foi motivo de intensos debates entre os membros da equipe. "Queríamos encontrar imagens que fizessem parte do imaginário dos estudantes e, dessa forma, estimulassem o interesse pela química. Balões, por exemplo, mostram a importância do gás hélio para enchê-los; certas frutas, como a banana, mostram que são ricas em potássio; conchas marinhas contêm cálcio; e o alumínio está nas latinhas de refrigerante", exemplifica.
O terceiro detalhe é que todas as cartas trazem, em miniatura, uma tabela periódica, indicando onde aquele elemento é encontrado, facilitando a associação da característica do elemento com sua posição. Ao identificar a família do elemento químico de uma carta, o aluno conseguirá perceber qual das seis características listadas é a que tem mais chances de fazê-lo ganhar dos adversários. "Gases nobres, principalmente os da parte superior da tabela, por exemplo, são os que têm menor eletronegatividade. Já os metais de transição, localizados mais ao centro e na parte inferior, são os que têm maior densidade, mas com menor abundância no corpo", acrescenta. Um manual de orientação para aplicação do jogo em sala de aula vem como apoio, para que o professor possa orientar os estudantes durante a partida.
Assim como o Supertrunfo tradicional, que traz uma carta que ganha de todas as outras, Trunfo Químico também conta com sua carta trunfo. "Escolhemos o elemento carbono por estar fortemente identificado como essencial para a existência de vida, da forma como nós a conhecemos", afirma o professor. “É a carta que ganha de todas as outras, exceto dos chamados elementos tóxicos, ou seja, aqueles capazes de ameaçar a existência da vida no planeta", explica. Entre os elementos tóxicos, podem ser citados alguns exemplos, como o urânio – matéria-prima de bombas nucleares – e o arsênio – elemento que forma um óxido insípido e incolor, encontrado em poços de água contaminados por minérios contendo esse elemento", complementa. Doses extremamente baixas de arsênio, como 1 parte por bilhão (ppb) na água ou 7 partes por milhão (ppm) no solo são capazes de afetar a saúde de plantas e animais, inclusive a saúde humana, levando a doenças, como o câncer, ou mesmo à morte imediata.
O primeiro teste para verificar a aceitação do jogo e sua receptividade junto aos estudantes e averiguar sua eficácia no aprendizado da Química já foi realizado. Sob orientação de Moreno e de sua colega Margarete Pereira Friedrich, a professora Elizete de Moraes Martins da Silva testou o jogo em três turmas do Ensino Médio do Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Togo Renan Soares "Kanela", na comunidade de Santa Margarida, em Campo Grande, Zona Oeste do Rio. Depois de disputar uma partida, 145 alunos com idade de 15 e 16 anos preencheram um questionário avaliativo e deram suas opiniões.
Entre os estudantes, todos consideraram o jogo uma maneira interessante e mais divertida de aprender a matéria. "No começo achei difícil, mas depois da explicação da professora consegui jogar. Tive um pouco de dificuldade, mas foi bom testar a mente e melhorar o aprendizado, além de sair da rotina... Brincar é sempre muito bom!", avaliou um dos alunos. "O jogo facilita o ensino da matéria e ajuda aqueles que têm dificuldade em aprender", falou outro.
Segundo Esteban Moreno, os resultados indicam que o produto terá ótima aceitação e pode sair dos limites da escola, levando a brincadeira para casa. "Ao apresentarmos o projeto num fórum de professores de Química com mais de 600 participantes, eles se mostraram extremamente empolgados", lembra Moreno. Até o fim do ano, Trunfo Químico deverá ser distribuído gratuitamente em todas as 1.680 bibliotecas de escolas públicas do estado. "Além de estimular o aprendizado, o jogo serve para integrar os alunos e fazer com que, no cotidiano, eles se relacionem melhor com seus professores. E a competição os estimula a estudar e a adquirir conhecimentos de forma prazerosa... Brincando", conclui. É. Aprender química pode ser uma grande diversão...  
Publicado no Boletim Faperj em 21/10/2010. Disponível em:http://www.faperj.br/boletim_interna.phtml?obj_id=6724

terça-feira, 30 de julho de 2013

Recursos lúdicos para o ensino de Química no Ensino Médio: relato de experiência


Adriana Oliveira Bernardes
Professora; doutoranda em Ensino de Ciências (UENF); tutora do curso de Licenciatura em Matemática do Consórcio Cederj; coordenadora do Clube de Astronomia Marcos Pontes

Recursos lúdicos são importantes no ensino e aprendizagem, principalmente das disciplinas da área de Ciências, em que as dificuldades dos alunos são maiores. Em pesquisa realizada junto aos alunos do Instituto Educacional de Nova Friburgo (IENF), constatamos que a disciplina figura para eles como afastada de seu cotidiano e é tida como de difícil assimilação. Apresentamos neste trabalho experiência realizada junto aos alunos do curso de formação de professores do IENF, com os quais produzimos recursos didáticos (vídeos educativos) com o tema Polímeros e conceitos gerais de Química servindo como motivador para aprendizagem da disciplina, colaborando para que os alunos apresentassem bons resultados.
O ensino de Química no Ensino Fundamental e Médio vem sendo conduzido, de maneira geral, com poucas perspectivas de aprendizado para o aluno, que na maioria das vezes convive com a falta de laboratórios nas escolas e de professores com formação específica na disciplina.
A falta de laboratório de Química impede o aluno de ter contato direto com experiências da área, o que dificulta seu entendimento da matéria, não propiciando um aprendizado significativo.
A falta de professores de Química, o que leva a disciplina a ser ministrada por professores de outras áreas (como Ciências Biológicas, Física e, em alguns casos, até mesmo por um profissional da área de Matemática), também colabora, mesmo que a escola possua um laboratório e que seja realizado ali um trabalho sério. Na maioria das vezes, o que falta a esse professor é capacitação adequada para a realização desse tipo de atividade.
Segundo Bernardes (2006),
é necessário incentivar as feiras, mas, antes, equipar as escolas com bons laboratórios e incentivar o trabalho do professor pesquisador na escola pública, devidamente capacitado e preparado para desenvolver projetos que visem promover a autonomia e cidadania nos alunos.
Em relação ao trabalho dos professores, a mesma autora (Bernardes, 2006a) afirma que
é grande o número de professores que trabalha única e exclusivamente com aulas expositivas, e sabemos que para que os alunos venham a obter bons desenvolvimentos nessas disciplinas é necessário muito mais que a chamada, aula expositiva.
O ensino de polímeros, que ocorre normalmente no terceiro ano do Ensino Médio, pode ser trabalhado no primeiro ano para despertar o interesse dos alunos pela disciplina. Considerando que o plástico e tanto outros materiais poliméricos fazem parte do nosso dia a dia, o tema será facilmente contextualizado devido à grande presença desse material em nosso cotidiano e a problemas gerados por eles em termos de poluição ambiental.
A partir deste estudo é possível entender a importância da Química na nossa vida e sua relação com a cidadania.
O ensino de Ciências em geral vai mal das pernas no Brasil; vários exames aos quais os alunos são submetidos mostram as dificuldades nas disciplinas em geral e, em particular, no ensino de Ciências, do qual a disciplina Química faz parte.
Nesse contexto, são importantes projetos que sejam desenvolvidos no Ensino Médio, a fim de levar à escola uma discussão a respeito de questões como ecologia, poluição e importância tecnológica dos polímeros, visando ao aprendizado de Química Orgânica pelos alunos. Na Figura 1 está uma cena da gravação do jornal criado por alunas do IENF.

Figura 1: Isadora e Beatriz, alunas do IENF.
O trabalho realizado teve os seguintes objetivos:
  1. contextualizar a disciplina com temas atuais como poluição, ecologia e reciclagem de materiais;
  2. Desenvolver materiais didáticos para o ensino de Química, utilizando novas tecnologias para produção de recursos lúdicos.
Metodologia do trabalho:
Inicialmente, nosso intuito era desenvolver material didático para utilização em turmas de Ensino Médio, tanto regulares quanto as turmas de EJA (Educação de Jovens e Adultos).
Os recursos criados foram:
  1. Vídeos educativos interdisciplinares que serão aplicados às turmas já mencionadas;
  2. Material multimídia tratando do tema.
O trabalho com recursos didáticos diversificados é importante, já que, segundo os PCN (2002, p. 27), “para trabalhar com Ciências Naturais, o professor deve utilizar atividades variadas, possibilitando assim que os alunos entrem em contato com temas ligados à aprendizagem científica e tecnológica”.
Vídeos educativos foram utilizados para introduzir o assunto polímeros; nesse sentido é bom lembrar que, segundo Pereira e Barros (2009), “as facilidades tecnológicas atuais deveriam servir de estímulo para a produção de vídeos e resultar em acesso público, contribuindo para a eficiência do professor e para a aprendizagem dos alunos”. Na Figura 2 estão exemplos de polímeros.
Figura 2 – Mostra alvo de interesse dos alunos na pesquisa: materiais poliméricos.
Outro fator importante que deve ser considerado é que, segundo o MEC (Brasil, 2004), “nas orientações é sugerido ao professor o trabalho com som, imagem e informação”.
A História da Química também será utilizada para colaborar no processo de ensino e aprendizagem dos alunos e fará parte de todos os materiais que serão confeccionados.

Figura 3 – Alunas que pesquisaram o tema poliuretano.
As estratégias utilizadas para realização do projeto foram:
  1. Pesquisa realizada na escola sobre as principais dificuldades encontradas pelos professores da área de Ciências para ensinar suas disciplinas e também sobre sua formação;
  2. Pesquisa sobre os conteúdos ministrados no 1o ano do Ensino Médio;
  3. Criação de materiais didáticos que possibilitem o aprendizado de Química de forma lúdica, tendo como tema transversal polímeros;
  4. Aplicação do material em turma do Ensino Regular e de EJA.
Objetivos alcançados ao final do projeto:
  1. Criação de recursos didáticos para o ensino de Química no Ensino Médio;
  2. Experiência com a utilização do lúdico no ensino de Química;
  3. Possibilidade de melhor aprendizado do assunto por alunos do Ensino Médio regular e EJA.

Referências

BERNARDES, Adriana Oliveira. Primeira Feira Nacional de Ciências Básicas. Educação Pública, nº 47, dezembro 2006. Disponível emhttp://www.educacaopublica.rj.gov.br/suavoz/0083.html. Acessado em 22/03/2010.
BERNARDES, Adriana Oliveira. Um universo de descobertas. Educação Pública, nº 43, 2006a. Disponível em: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/suavoz/0080.html. Acessado em 22/03/2010.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996). Brasília: MEC, 1996.
BRASIL. MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais - adaptações curriculares. Disponível em: http://www.educacaoonline.pro.br/adaptacocurriculares.asp. Acesso em 27 de setembro de 2008.
BRASIL. MEC. Secretaria de Educação Básica. PCN - Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias. Brasília: Ministério da Educação, 2006.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A Inovação na Área de Educação Química

Autores:

Nicole Glock Maceno
Orliney Maciel Guimarães
Pesquisa no Ensino de Química
Este trabalho discute o que é inovação na área de Educação Química a partir da análise de materiais textuais de três grupos: os interlocutores da Revista Química Nova na Escola, os de escolas e os de livros. A partir das contribuições de Moraes e Galiazzi (2007) sobre a Análise Textual Discursiva, foram construídos três metatextos para cada uma das categorias consideradas: Objetivos da Educação Química, Importância da Educação Química e Abordagens potencialmente inovadoras. Dentre as principais evidências, foi possível compreender que, para esses interlocutores, é inovação para a área de Educação Química ter como escopo a formação voltada para a cidadania, que os estudantes possam reconhecer a importância social dessa área e que os professores considerem os princípios da interdisciplinaridade e da contextualização - além dos temas que emergem do contexto em que estão inseridos - para a organização curricular e a proposição de situações de aprendizagem que sejam significativas e integradas às vivências desses sujeitos.
Educação Química, Inovação, Abordagens de ensino

sábado, 27 de julho de 2013

Cotidiano e Contextualização no Ensino de Química

Autores:

Edson José Wartha
Erivanildo Lopes da Silva
Nelson Rui Ribas Bejarano
Coceitos Científicos em Destaque
O presente trabalho pretende fazer uma análise de textos que abordam aspectos relacionados ao uso dos termos cotidiano e contextualização no ensino de química, procurando esclarecimentos acerca dos pressupostos epistemológicos e pedagógicos relacionados ao ensino dessa disciplina. Verifica-se que há apropriações variadas dessas duas perspectivas que, por vezes, reduzem-se apenas à contextualização, abordada de uma maneira geral. Conclui-se que, ao fazer uso da perspectiva de contextualização, os trabalhos devem se referir a quais correntes teóricas se filiam. Em termos da perspectiva de uso do termo cotidiano, percebemos que há veiculação, muitas vezes, de visões ingênuas ou pueris.
cotidiano, contextualização e ensino de química
temas ambientais, ensino de ciências da natureza, Enem

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Os Jogos Educacionais de Cartas como Estratégia de Ensino em Química


Patrícia Barreto Mathias Focetola
Pedro Jaber Castro
Aline Camargo Jesus de Souza
Lucas da Silva Grion
Nadia Cristina da Silva Pedro
Rafael dos Santos Iack
Roberto Xavier de Almeida
Anderson Cosme de Oliveira
Claudia Vargas Torres de Barros
Enilce Vaitsman
Juliana Barreto Brandão
Antonio Carlos de Oliveira Guerra
Joaquim Fernando Mendes da Silva
Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID
Este trabalho relata a experiência didática dos bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no ensino dos conceitos ligação química e funções inorgânicas, utilizando três diferentes jogos educacionais. As atividades didáticas foram realizadas com alunos do 1º e 2º anos do ensino médio de três escolas públicas do estado do Rio de Janeiro, sendo que três jogos de cartas foram utilizados para introduzir, reforçar ou exercitar os conceitos químicos ministrados. A contribuição pedagógica dos jogos foi analisada por meio de questionários de avaliações discentes e seus resultados demonstram a efi ciência destes como ferramentas didáticas no ensino de ciências, em geral, e de química, em particular.
jogos educacionais, ligação química, funções inorgânicas



Improvisações Teatrais no Ensino de Química: Interface entre Teatro e Ciência na Sala de Aula

Autores:

Hélio da Silva Messeder Neto
Barbara Carine Soares Pinheiro
Nídia Franca Roque
Relatos de Sala de Aula
Motivar o estudante do ensino médio a estudar química vem sendo um desafio constante enfrentado pelos professores. Muitas alternativas para vencer esse desafio vêm sendo propostas, entre elas, o uso das improvisações teatrais, que é uma alternativa lúdica que pode ser utilizada na sala de aula, não apenas para motivar os estudantes, mas também para levantar concepções prévias e posteriores ao ensino de um conteúdo. Trazer o teatro para sala de aula é uma tentativa de integrar ciência e arte, contribuindo para uma formação mais ampla e consciente no ensino médio. Esse trabalho mostra uma metodologia para improvisações teatrais, aplicadas à avaliação em química, pautada no referencial da psicologia de Vygotsky e na metodologia de Viola Spolin, e apresenta os resultados alcançados com uma turma de 1º ano do ensino médio.
improvisações teatrais, ludicidade, ensino de química
temas ambientais, ensino de ciências da natureza, Enem

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Discutindo Ciências nas obras de Monteiro Lobato





Discutindo ciência com Monteiro Lobato

Esse trabalho traz uma análise de trechos da obra Serões de Dona Benta, de Monteiro Lobato, no que se refere à concepção de ciência manifesta pelo autor. Nossa análise busca dialogar com a literatura da área de Didática das Ciências Naturais, particularmente com trabalhos que  se preocupam com a temática da “Natureza da Ciência” (NdC). Considerando as perspectivas da contextualização e da interdisciplinaridade, bem como a importância da obra de Lobato no cenário da literatura infanto-juvenil brasileira e o seu possível uso nas salas de aula de ciências naturais, apontamos a relevância de uma leitura crítica dessa obra com vistas à  problematização da concepção de ciência que a subjaz. 
Palavras-chave: Monteiro Lobato, natureza da ciência, interdisciplinaridade. 

Autores : André Ferrer P. Martins e Sílvia Regina Groto
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
artigo completo disponível em :
http://www.nutes.ufrj.br/abrapec/viiienpec/resumos/R0568-1.pdf


O POTENCIAL DE RELAÇÕES ENTRE ENSINO DE CIÊNCIAS E 
LITERATURA POR MEIO DA OBRA DE MONTEIRO LOBATO

Esse trabalho investiga o potencial pedagógico entre áreas aparentemente insolúveis como literatura e ciência que, quando relacionadas no campo do ensino promovem um  ganho de humanidade ao conhecimento científico por meio da percepção oriunda das diferentes possibilidades de leitura que as duas abordagens proporcionam, podendo:

             trazer a ciência aos cidadãos de outra maneira, sem a imposição da ciência em si mesma, diluindo-a no romance, embora sem a desvirtuar. Sem se fazer a apologia da descaracterização da abordagem científica, indispensável ao aprofundamento e a compreensão da ciência na sua totalidade, esta aproximação permite o confronto de dois campos tradicionalmente antagônicos, pelo menos em abordagens curriculares, valorizando um e outro. (GALVÃO, 2006, p.40 e 41)

Se o diálogo entre essas duas áreas chegar às escolas, envolvendo alunos e  professores, poderá contribuir para o aumento do interesse e do rendimento dos alunos  e, sobretudo, como afirma GALVÃO (2006, p. 47) “aprofundar questões relacionadas  com a ciência, tecnologia ou literatura apresentada nas obras em estudo”. Assim, um romance pode inserir o aluno no contexto social, político e cultural de determinada  época e por meio da ficção permitir que o imaginário do mesmo possa construir imagens da ciência como produto das idéias e das ações do homem

Artigo do professor Marcelo Pimentel da Silveira (UEM/PG-USP) disponível em :
http://www.cielli.com.br/downloads/217.pdf

domingo, 14 de julho de 2013

"Wall-E": os impactos causados pelo lixo e a necessidade de reciclar- Usos de Filmes no ensino de Ciências


Introdução
O longa animado Wall-E conta a história de um planeta Terra futurista e completamente devastado pela ação inconsequente da humanidade. Para sobreviver, os humanos abandonaram a Terra e decidiram viver em um cruzeiro espacial. Apenas os robôs ficaram, entre eles Wall-E, que tem a função de vasculhar o planeta e está disposto a provar que ainda é possível salvá-lo. Para o professor Henzo Gualberto, do Colégio Aliado, na capital paulista, filmes como este são um recurso importante para o planejamento. “Ele estimula e favorece a aprendizagem de conteúdos ligados ao impacto causado pelo lixo.” 

Objetivo 
Aprimorar a capacidade crítica a respeito das demandas da população mundial por produtos e a questão dos resíduos sólidos. 

Conteúdos 
Lixo; reciclagem; resíduos sólidos; poluição ambiental; condições essenciais para a vida na Terra; e preservação dos ecossistemas e da biodiversidade do planeta. 

Trechos selecionados 
Os primeiros minutos do filme (1m10s a 12m18s), que mostram a situação em que se encontra a Terra futurista e como o robô vivia solitário; as cenas que mostram como vivem os seres humanos nessa época, tão gordos e sedentários que se esquecem inclusive de andar, se tornando completamente dependentes de máquinas (cena 1 - 38m59s a 42m59s; cena 2 - 44m08s a 52m11s); e o final, que trata da mudança de comportamento dos humanos (1h19m17s a 1h30m20s). 

Atividades 
Comece a aula apresentando o filme e indicando os principais conteúdos a serem tratados. Peça que as crianças anotem questões que chamaram a atenção durante a exibição e podem ser discutidas com os colegas. Após cada trecho, abra espaço para a garotada apresentar possíveis dúvidas e as esclareça. No fim, promova uma discussão em grupo sobre os pontos indicados pela classe. Sistematize no quadro as principais conclusões 
da garotada sobre o tema. 

Avaliação 
Observe a participação dos estudantes durante os debates e se os conteúdos tratados foram compreendidos por todos.
Professor Henzo Gualberto
professor do Colégio Aliado, em São Paulo

sábado, 13 de julho de 2013

Três atividades de registro em Ciências

Oi pessoal, hoje estou postando um vídeo que aborda tr}es atividades de registro no ensino de ciências; Essas práticas são abordadas no meu projeto Clube da Ciências para o ensino fundamental I, cujo o público-alvo abrange a faixa etária de 6 a 11 anos!

Espero que esse vídeo possa contribuir como instrumento motivador e esclarecedor da aprendizagem. 

Na Escola Estadual Marilene Terezinha Longhim, em São Carlos, a 213 quilômetros de São Paulo, a professora Glamis Valéria Bullo Nunes ensinou os alunos da 3ª série três diferentes formas de se registrar descobertas científicas. Ela trabalhou o desenho científico, o texto instrucional e o texto informativo.

PARCERIA
Os materiais utilizados nos experimentos feitos pela turma da professora Glamis - microscópio, lupas, placas, estufa etc. - foram gentilmente cedidos pelo Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC) da USP de São Carlos.
Os profissionais do Centro também ministram cursos de formação nas escolas da região, para ajudar os professores a melhorar as aulas de Ciências.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Clube da Ciências e suas situações didáticas

As situações didáticas de Ciências

A observação de fenômenos, a experimentação e a reflexão, além de muita leitura, ampliam os conhecimentos sobre questões dessa área

Amanda Polato (novaescola@atleitor.com.br) Beatriz Santomauro e Rodrigo Ratier

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OLHAR ORIENTADO - No Centro Educacional, a turma observa frutas e cria hipóteses sobre a decomposição. Foto: Paula Canova
OLHAR ORIENTADO  No Centro Educacional, a turma observa frutas e cria hipóteses sobre a decomposição

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Em um mundo em que o desenvolvimento científico está por toda parte, o ensino de Ciências deve propor situações-problema e trabalhos que gerem reflexão, permitam participação ativa e tenham relação com o dia-a-dia. "A transposição da ciência acadêmica para a escola amplia a visão do cotidiano", diz Cândida Muzzio, coordenadora do Colégio Miró, em Salvador. É importante articular atividades. Um experimento sem observação, pesquisa e leitura é insuficiente para a aprendizagem.
No Centro Educacional de Ensino de 1º Grau, em Presidente Castelo Branco, a 470 de Florianópolis, a professora da 3ª série Rozinei Forquezato participou de um projeto sobre compostagem que contempla quatro situações didáticas essenciais (veja sequência didática). Além de aprenderem conteúdos, os alunos vêem o impacto de sua atuação na comunidade e no ambiente. Veja a seguir as quatro situações didáticas essenciais ao ensino e aprendizagem de Ciências:


1. Observação


O que é: Análise de um experimento com a mediação do educador. A atividade deve instigar perguntas e a elaboração de hipóteses. Ao estudarem o desenvolvimento das plantas, por exemplo, as crianças podem ver que crescem, mas nem sempre se atêm aos detalhes. Por isso a importância de direcionar o olhar delas. Como está a cépala (a proteção que encobre o botão da flor)? Aberta ou fechada? E depois de uma semana? 



Quando propor: Sempre que houver uma investigação desenvolvida em aula. 


O que a criança aprende: Além de conteúdos tradicionais, a observar fenômenos, elaborar hipóteses e organizar dados.

2. Experimentação
O que é: Investigação para relacionar o saber científico ao da garotada. O experimento não pode só demonstrar conhecimentos já apresentados. Se é preciso entender quais materiais flutuam, a turma sugere alguns e é desafiada. Uma folha de papel flutua? E se a amassarmos em forma de esfera?

Quando propor: Sempre que o conteúdo puder incluir experimentação.

O que a criança aprende: Além dos conteúdos relacionados, a manipular experimentos e a resolver problemas.

3. Pesquisa em textos

O que é: Busca por respostas para a resolução de problemas em livros, revistas, jornais e internet. A atividade não é produtiva se for atrelada apenas à coleta de dados. Uma proposta: a turma faz uma experiência em que sal é dissolvido em água e o professor apresenta uma questão - todo sólido se dissolve em água? - a ser resolvida com base em fontes confiáveis.

Quando propor: Sempre que for preciso buscar informações.

O que a criança aprende:  Além dos conteúdos relacionados, a trabalhar com obras de caráter científico e a ter maior autonomia na aprendizagem.

4. Leitura e escrita sobre Ciências

O que é:  O professor cria uma oportunidade que gere dúvidas sobre um tema. Depois de todos revelarem suas concepções em conversas, desenhos e textos, ele indica a consulta a textos científicos. É essencial apresentar fontes variadas, além do livro didático, marcando a diferença entre as linguagens. Devem-se discutir conceitos, termos da área e características da linguagem, e não apenas supor que sejam conhecidos.

Quando propor: Em todas as aulas.

O que a criança aprende: Compreendendo o que lê, aprofunda conhecimentos e informações sobre os conteúdos.


quarta-feira, 10 de julho de 2013

Teoria passada a limpo- Teóricos da Aprendizagem


Hoje estou postando uma série especial publicada no site da revista Nova Escola sobre as teorias da aprendizagem elaboradas por Jean Piaget, Lev Vygotsky, Henri Wallon e David Ausubel, com o objetivo de melhorar a fundamentação teórica de nossas práticas educativas.

Vale a pena conferir!
Até mais!

Clube da Ciência: A importância do registro em Ciências


Desenvolver a competência dos alunos nas três modalidades de registro deve ser uma preocupação constante, sobretudo nas séries iniciais


O naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882) sempre foi cuidadoso com suas anotações. Tão cuidadoso que a Universidade de Cambridge, na Inglaterra, já reuniu mais de 20 mil páginas de texto e 100 mil desenhos produzidos por ele. Seus manuscritos, além de preciosidades históricas, revelam quão importante é a etapa do registro na construção do conhecimento em Ciências. E isso vale não apenas para cientistas mas também para estudantes. De acordo com vários especialistas, aprimorar a competência dos alunos nas diferentes modalidades de registro deveria ser uma preocupação constante de todo professor, sobretudo daqueles que trabalham com as crianças das séries iniciais, ainda pouco familiarizadas com o método científico. 

Concluído o primeiro ciclo do Ensino Fundamental, a garotada precisa estar apta a comunicar desde hipóteses elementares até os conceitos mais complexos elaborados entre o 1º e o 5º ano. Como desenhos e textos são ótimos para lapidar essa aptidão, há quem defenda que sejam atividades permanentes. "O registro desenvolve a habilidade de selecionar e organizar informações", diz Anna Maria de Carvalho, coordenadora do Laboratório de Pesquisa e Ensino de Física da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). "E ainda ajuda a consolidar conhecimentos." 

Mas não adianta pedir às crianças que escrevam sem que haja uma necessidade real. Para Maria Tomazello, pesquisadora do Núcleo de Educação e Ciências da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), toda atividade de registro deve ocorrer num contexto de investigação, em que uma situação-problema seja apresentada aos estudantes. "Assim, eles pesquisam e argumentam sobre o assunto estudado, aproximando-se dos conceitos científicos usando as próprias ideias. Quando só o conceito é apresentado, os alunos apenas reproduzem as palavras que ouviram do professor ou leram anteriormente no livro didático." 

Segundo os educadores, as três atividades clássicas de registro rendem boas propostas em sala de aula.


Desenhos: registros gráficos de experimentos

CIÊNCIA ILUSTRADA No desenho de um aluno da Escola Santi, o registro gráfico de uma experiência com propagação de luz. Foto: Fernanda Preto
CIÊNCIA ILUSTRADA No desenho de um aluno da Escola Santi, o registro gráfico de uma experiência com propagação de luz
Funcionam bem com crianças de qualquer idade, embora sejam especialmente úteis com aquelas que ainda não apresentam pleno domínio da linguagem escrita (leia a atividade). Na Escola Santi, em São Paulo, a professora Juliana Figueiredo pede aos alunos de 1º ano que registrem graficamente um experimento com a propagação de luz. "Desenhando, eles incorporam pelo menos três conceitos: a luz se propaga em linha reta, existem superfícies capazes de refleti-la e é possível desviá-la."

Textos instrucionais: passo a passo de procedimentos
PASSO A PASSO Na EE Marilene Terezinha Longhim, ao produzir textos instrucionais, a turma organiza informações. Foto: Raoni Maddalena
PASSO A PASSO Na EE Marilene Terezinha Longhim, ao produzir textos instrucionais, a turma organiza informações
São uma sequência de instruções que, se mal interpretadas, levam a conclusões incorretas. Ao produzir registros desse tipo, as crianças são desafiadas a organizar informações. É com esse objetivo que a professora Glamis Miguel, da EE Marilene Terezinha Longhim, de São Carlos, a 231 quilômetros de São Paulo, pede às turmas de 3º ano que descrevam um experimento com micro-organismos (leia a atividade). O texto de cada aluno deve ser claro o suficiente para que outra pessoa consiga reproduzir a experiência orientando-se apenas por ele.

Textos informativos: comunicação das descobertas
DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA Nos textos informativos, os alunos da EMEF Doutor Cardoso de Almeida comunicam seus achados. Foto: Rodrigo Erib
DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA Nos textos informativos, os alunos da EMEF Doutor Cardoso de Almeida comunicam seus achados
É por meio desse tipo de texto que os cientistas comunicam suas descobertas. Antes de pedir que os alunos escrevam, porém, é necessário orientá-los. Para quem eles vão escrever? O que pretendem comunicar? Na EMEF Doutor Cardoso de Almeida, em Botucatu, a 235 quilômetros de São Paulo, a professora Talissa Castilho constrói terrários para ensinar aos alunos de 3º ano o ciclo de vida das minhocas (leia a atividade). Ao longo de sete ou oito semanas de observação e leitura, as crianças coletam informações. Por fim, reúnem todos os dados relevantes em um único registro. "Durante o processo", diz Talissa, "eles vão produzindo textos cada vez mais completos."

Baralho sobre o sistema imunológico e a defesa do organismo

O sistema imunológico e a defesa do organismo

Campanha Emagrece, Brasil


Por que ficamos doentes? Use perguntas assim para começar sua aula sobre o sistema imunológico e faça o download de um jogo de cartas que pode ampliar a compreensão da turma!



Vídeo "Fluxo sanguíneo - invasão do vírus" da Academia de Ciência e Tecnologia de São José do Rio Preto (SP)


Objetivos
  • Compreender como o sistema imunológico atua na defesa do corpo
  • Relacionar hábitos saudáveis de vida com o bom funcionamento do sistema imunológico

ConteúdoSistema imunológico (também chamado de sistema imune ou imunitário)

Anos4º e 5º anos

Tempo estimado
8 aulas

Materiais necessários
Material informativo sobre sistema imunológico:

Desenvolvimento
1ª etapa
Inicie a aula perguntando aos alunos por que ficamos doentes. Pergunte também
por que não ficamos doentes o tempo todo. Recorde que vivemos cercados de micro-organismos (bactérias, vírus, fungos etc.) e, portanto, de alguma forma o nosso corpo nos protege destes invasores.

Continue a discussão com o seguinte questionamento: Afinal, como o corpo se defende dos micro-organismos? Estimule a turma dizendo que todos estão prestes a entrar numa batalha no interior do nosso corpo. Diga que para participar, basta leitura e envolvimento nas aulas!

2ª etapa
Entregue para os alunos a cópia do texto "Como o vírus entra no nosso corpo?", retirado do site Universidade das Crianças. Promova a leitura e discussão, ressaltando que a autora destaca o sistema de defesa do corpo humano.

Explique que o nosso corpo é bem protegido pela pele e por membranas que revestem os órgãos, formando uma importante barreira contra o ataque dos invasores. Mesmo assim, micro-organismos são capazes de superar essa defesa e entrar no nosso corpo. Neste momento, entra em ação o sistema imunológico, e começa uma batalha entre os invasores e os glóbulos brancos.

Se o conteúdo de sistema circulatório já foi trabalhado, recorde com eles o papel dos linfócitos. Do contrário, reserve um tempo da aula e explique que os glóbulos brancos são células encontradas no sangue e que participam da defesa do corpo.

Para que eles entendam o quão dinâmica é a resposta imunológica e tenham um primeiro contato com novos termos, como o nome dos linfócitos, apresente o filme "Fluxo sanguíneo - a invasão dos vírus". Esclareça que não é preciso se ater aos nomes diferentes que vão aparecer, o importante é tentar compreender o mecanismo de defesa que será apresentado.

3ª etapa

Verifique qual foi a compreensão do vídeo. Questione: "O que esse vídeo apresentou?"; "Onde essas células são encontradas?". Faça com os alunos a lista dos nomes das células que apareceram no vídeo. Apresente imagens de cada tipo celular e elabore coletivamente uma explicação da função de cada uma delas:

macrófagos: são células especializadas em encontrar e "comer" os invasores (o termo científico é fagocitar, como usado no vídeo), e também ativam os linfócitos T, ou seja, avisam da presença do micro-organismo invasor;

linfócitos T: têm capacidade de ativar outras células, ou seja, avisam outras células da presença do invasor, trabalho que é realizado pelo linfócito T4 (também chamado CD4), e também destroem células invadidas, trabalho realizado pelo linfócito T8 ( também denominado CD8);

linfócitos B: depois de ativados pelo linfócito T, são capazes de produzir anticorpos, substâncias especiais que neutralizam os invasores.

Destaque que os anticorpos são muitos específicos, ou seja, para cada tipo de invasor é produzido um anticorpo. Como analogia, use o mecanismo da chave de uma porta e sua específica fechadura: se a chave não for da fechadura, ela nunca abrirá a porta. Da mesma forma, para cada tipo de invasor é produzido um anticorpo específico para matá-lo.

Reapresente o vídeo "Fluxo sanguíneo - invasão do vírus", agora em partes, reforçando com os estudantes as etapas do mecanismo da resposta imunológica. Elabore coletivamente um texto ou um esquema representando o mecanismo de defesa do corpo.

Durante a exibição do vídeo, esclareça para os alunos que se trata de uma animação e, portanto, é uma representação do que ocorre no nosso corpo. Ao mostrar as imagens das células, destaque que são feitas com auxílio de microscópios sofisticados e, depois, coloridas no computador.

4ª etapa
Retome a discussão com a turma e pergunte: "Vocês já compreenderam o mecanismo de defesa do corpo. Então, por que às vezes ficamos doentes?". Eles deverão compreender que em algumas situações o nosso organismo não consegue se defender de forma eficiente dos invasores. Questione o que deve ser feito nesses casos. Discuta a necessidade de avaliação médica quando adoecemos, pois somente os médicos podem prescrever a medicação correta para combater a doença e seus efeitos. Chame atenção sobre o perigo da automedicação.

Pergunte para a turma se eles sabem o que pode ser feito para fortalecer o sistema imunológico. Faça cópias da matéria "Cuide do sistema imunológico para estar bem sempre", retirada do site da revista Saúde, e solicite uma primeira leitura silenciosa. Verifique se eles associaram as informações do texto, principalmente do primeiro parágrafo, com a resposta imunológica estudada anteriormente. Discuta cada um dos hábitos saudáveis que fortalecem o sistema imunológico e verifique quais os estudantes realizam.

5ª etapa
Promova a leitura do texto "Alimente o seu sistema imune", retirado do site da revista Saúde. Reflita sobre como o conhecimento sobre o sistema imunológico possibilitou que eles compreendessem o texto. Utilize o infográfico da matéria para reforçar as etapas da resposta imunológica, bem como a necessidade de uma alimentação adequada.

Como atividade para a casa, peça que os alunos leiam para seus familiares as matérias e verifiquem quais entre os hábitos apresentados estão sendo praticados pela família. Solicite que façam uma pesquisa sobre alimentos ricos em zinco e vitamina C. Reforce que ambas atividades devem ser registradas no caderno.

6ª etapa
Apresente à turma o jogo "Batalha imunológica". Explique que se trata de um jogo de cartas sobre o sistema de defesa do organismo. Com esta brincadeira, os estudantes vão entender ainda mais as etapas da resposta imunológica.

Clique na imagem abaixo para fazer  o download do baralho:
Jogo do sistema imunológico
Imagens do baralho retiradas do vídeo "Fluxo sanguíneo - invasão do vírus" da Academia de Ciência e Tecnologia de São José do Rio Preto (SP)
O baralho é composto por:
  • 1 carta "vírus na corrente sanguínea"
  • 4 cartas "macrófago fagocita invasor"
  • 4 cartas "macrófago ativa o linfócito T (CD4)"
  • 3 cartas "linfócito T (CD4)ativado
  • 3 cartas "linfócito T (CD4) ativa linfócito B (CD8)"
  • 3 cartas "linfócito B (CD8)ativado"
  • 3 cartas "anticorpo x vírus"
  • 3 cartas "Pule o colega!"

Forme grupo de cinco estudantes e distribua as cartas. Leia para a turma as instruções e esclareça eventuais dúvidas:

Instruções:
- Separe do baralho a carta "vírus na corrente sanguínea". Coloque essa carta no centro da mesa.
- Um estudante deve embaralhar as cartas e distribuí-las. Cada colega recebe três cartas. As que sobrarem, serão colocadas no monte para serem "compradas".
- Inicia o jogo o colega que fica à direita de quem distribuiu as cartas.
- O objetivo é refazer a sequência da resposta imunológica:  "vírus na corrente sanguinea"  - >  "macrófago fagocita invasor" - > "macrofágo ativa o linfócito T (CD4)" - >"linfócito T (CD4)ativado" - >  "linfócito T (CD4) - > linfócito B (CD8)"- > "linfócito B (CD8) ativado" - > "anticorpo x vírus"
- Caso o jogador não tenha a carta da sequência, ele compra uma no monte. Se não servir, passa a vez para o colega.
- A carta "pule o colega!" faz com que o próximo jogador perca a vez. Essa carta não pode ser usada para finalizar o jogo.
- Vence o jogo quem encerrar a sequência com a carta "anticorpoxvírus". Caso as cartas acabem antes, o jogador deverá comprar no monte.
Avaliação
A participação dos alunos nas aulas será um bom indicativo para avaliação. Verifique como foi o envolvimento com o jogo e a realização da atividade de casa. Peça para os alunos elaborarem textos individuais sobre como o nosso corpo se defende da invasão dos micro-organismos. Leia os textos analisando se os estudantes empregaram corretamente os conceitos e se compreenderam o processo de defesa realizado pelo sistema imunológico.
Flávia Pereira Lima
Professora de Ciências no Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação da Universidade Federal de Goiás (UFG)