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Itabuna, Bahia, Brazil
Licenciada em Química pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc- Bahia); Mestre em Ensino de Ciências pela Universidade de São Paulo (USP); Professora do ensino Fundamental e Médio há 12 anos. Trabalha com Jogos e atividades lúdicas no ensino de Ciências, especialmente a Química.

sábado, 31 de agosto de 2013

PROFESSOR PESQUISADOR EM ENSINO DE CIÊNCIAS

Por Saulo C. Seiffert Santos


Compreende-se que as licenciaturas em Ciências da Natureza( Química, Física e Biologia) são alvo de muitas mudanças e de muitas atribuições pelas quais precisa de um modelo de teorização da prática pedagógica. A educação não está limitada somente a teorização das ciências cognitiva e das ciências psicológicas.
Nesta direção ainda a pesquisa em Educação, situada nas Ciências Sociais (ou pelo menos iniciada a partir da mesma) está em processo de construção desses fundamentos. Mas tem se procurado pesquisar sobre o ensino, não somente por pesquisadores externos, mas inserir o professor como pesquisador interno, um pesquisador das suas práticas. No entanto em muitas licenciaturas não tem estimulado tal empreendimento, e tem especificado somente a formação teórica predominantemente. Com isso ocorre uma cisão entre os conhecimentos pedagógicos e científicos. Como uni-los? Procuramos fundamentar com pesquisas nesta área de conhecimento.
Para Candau (1997) propõem que nas licenciaturas devem-se integrar as disciplinas da área com as disciplinas pedagógicas, sem perder a primazia das disciplinas da área e forma grupos interdisciplinares para a formação inicial.
Pimenta (2008) direciona ao projeto de formação da parte pedagógica deve ser responsabilidade na Faculdade de Educação na formação do professor, este reflexivo da sua prática como docente, que problematize o ensino na realidade escolar, e assim reflita e construa a sua práxis pedagógica consciente, e não seja um reprodutor meramente.

Zimmermamm & Bertani (2003) advertem que é a prática reflexiva que leva o professor ao conhecimento, à consciência e ao controle (CCC) do que acontece em sua sala de aula. Assim a partir da prática de ensino reflexivo o professor poderá fazer a integração do seu conhecimento.
Villani et al. (2009, p.480) entende a partir de Schön (2000) a reflexão sobre a prática pode se dá em categorias: a) “conhecer-na-ação” que se manifesta no saber fazer, na solução de problemas da prática, fruto da experiência e de reflexão anteriores; b) “reflexão-na-ação” que se refere aos processos de pensamento que se realizam durante o desenvolvimento da experiência, tendo como objetivo identificar os problemas que surgem durante a ação e promover mudanças no curso da intervenção; c) “reflexão-sobre-a-ação” que ocorre num momento posterior à intervenção e no intuito de repensar o vivido, descrevendo e objetivando o que já ocorreu; d) “reflexão-sobre-as reflexões-na-ação” que implica num distanciamento maior da ação e a interpretação e investigação do próprio processo, permitindo uma revisão continua da prática.
Zeichner & Pereira-Dinis (2005) entendem que a formação dos professores e a pesquisa feito por tais (os educadores) tendem a adotar uma noção de profissionalismo que na verdade os afasta daqueles a quem estão servindo e de suas comunidades. Assim deve-se evitar na pesquisa em ensino o excesso, pois os seus pressupostos estão ligados as lutas mais ampla por justiça social, economia e política, no qual se objetiva a transformação social.
Nunes (2008) entende que o docente como investigador da sua prática fundamentado no paradigma pragmático no lugar do paradigma linear academicista da prática pedagógica, que não tem respondido as necessidades da classe, e até mesmo não são implantados métodos e técnicas nesta disposição, uma vez que é válido em ambientes controlados, enquanto a realidade nas escolas não tem esse tipo de ambiente de forma geral. Assim propõem o modelo do professor pesquisador.
Ramos (2005) seguindo a proposta de Stenhouse que nutria o desejo de democratizar a pesquisa em educação, no qual não contribuía ao desenvolvimento profissional de professores, visto que muitos pesquisadores recusavam-se admitir a participação dos mesmos. Stenhouse afirmava que o professor estava no centro do processo da pesquisa educacional, sendo este que está a cargo das aulas.
Ramos (2005, p. 67) cita Elliott (1990) que aponta a Stenhouse, a adoção da perspectiva da perspectiva do professor pesquisador de ensino fundamental e médio o levaria a um processo de emancipação, de autonomia, de fortalecimento de suas capacidades e de aperfeiçoamento autogestionada de sua prática. Pois, o professor busca compreender as situações concretas que se apresentam em seu trabalho, e é dependente, portanto, da capacidade de investigar sua própria atuação. Assim propunha anotar as reflexões, buscar, entre seus pares, discussões de interesse comum e aprofundá-las de tal maneira que suas pesquisas influenciassem as políticas educacionais.
Então no tamanho da diversidade de variáveis que se entra a realidade peculiar da educação em Ciência Naturais, em especial no Ensino de Biologia, se sugere a prática do professor reflexivo e pesquisador, pois o docente escolar necessitaria da prática da pesquisa acadêmica na ciência de referência (Biologia) para compreender os fenômenos de pesquisa e novidades na sua especialidade, e a pesquisa em ensino por parte de oficio como professor.

Como você pode ensinar e ser um pesquisador do ensino que faz? Como você pode colaborar para pesquisar o ensino que participar (como professor, pedagogo ou gestor)?

Referencias
 CANDAU, V. M. F. Universidade e formação de professores: que rumos tomar?. In: CANDAU,. V. M. F. (org.) Magistério: construção cotidiana. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1997.
NUNES, D. R. P. Teoria, pesquisa e prática em Educação: a formação do professor-pesquisador. Revista Educação e Pesquisa. v.34, n.1, São Paulo: Jan/Abr, 2008, pp. 97-107.
PIMENTA, S. G. Formação de professores: identidade e saberes da docência. In: PIMENTA, S. G. (org.) Saberes pedagógicos e atividade docente. 6.ed. São Paulo: Cortez, 2008.
RAMOS, S. G. M. A pesquisa educacional inserida na formação inicial e continua de professores: superando o distanciamento entre universidade e a escola. Revista UNIPAR Científica: ciências humana e educacionais. V.6, n.1, Junho, 2005, pp. 65-68.
VILLANI, A.; FREITAS, D.; BRASILIS, R. Professor pesquisador: o caso Rosa. Revista Ciência &Educação. v.15, n.3, [s.l], 2009, pp. 479-496.
ZEICHNER, K, M.; PEIREIRA-DINIS, J. E. Pesquisa dos educadores e formação docente voltada para a transformação social. Revista Caderno de Pesquisa. v.35, n.125, Mai/Ago., 2005, pp. 63-80.
ZIMMERMANN, E.; BERTANI, J. A. Um novo olhar sobre os cursos de formação de professores. Revista Caderno Brasileiro de Ensino de Física. v. 20, n. 1. Abril, 2003, pp. 43-62.

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